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16/11/2004 01:15
CEMITÉRIO
a chuva que cai
sobre as lápides
lava o velho rosto da história
de vidas anônimas,
de almas antônimas
que habitam este ermo lugar
o vento que sopra
entre as pedras
e os paus das cruzes
apaga as velas, refaz as lembranças
e o brilho de olhares
e vozes e passos e vultos
entre epitáfios e lamentos;
flores e estátuas: sofrimento...
canções e adeuses
suspensos no ar
o escuro da noite
mascara o pesar,
transforma em silêncio,
talvez em mistério,
o choro daqueles que já são saudade
e habitam um mundo
chamado pretérito,
cravados no solo de um cemitério
andré pinheiro
enviada por profeta do caos
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