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18/09/2004 17:28

A CIDADE DORME


letárgica
tediosa
alheia ao movimento
e à fúria das ruas
a cidade dorme

casas são redomas
com grades e proteção
sentimentos agonizam:
percebo o amor em coma
e a ternura em depressão
e a cada noite
pesadelos ressuscitam
com a tez da solidão
esta é a cidade que dorme

enquanto
carros trafegam
e noturnas criaturas
festejam a incerteza
dos minutos,
a poesia
pisa mansinho,
pé ante pé,
para não desfazer
a catalepsia
da cidade que dorme

em cada quarto
o sangue desacelera,
os sonhos definham
nos corpos
o desejo,
o fogo,
o toque,
abrandados, silenciam

nada acontece
nada funciona
o mundo se escurece
o abraço não aquece, abandona
a canção se entristece
tudo é tão desnatural;
não há mais brinquedo,
o encontro é teatral
pensamentos são disformes
cada leito é um funeral

na cidade que dorme


andré PINheiro

enviada por profeta do caos






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