singularplural - iGuAL, maS diFereNTe






 



 

 



05/02/2005 21:00
SOUL DO BECO



O BECO QUE RELUZ
ou: um acadêmico no beco


Tudo bem, tudo bem. Não moro e nunca morei no Beco. Mas,
desde o ano passado, quando tive o primeiro contato
com o bloco, ainda durante os ensaios, Não tem Beija-flor,
Portela ou Mangueira. No carnaval, sou Acadêmicos do Beco de coração.
Então cá estou eu, servindo de modelo (putz!), e não
é por narcisismo (com um layout desses, vou ser narcisista
com o quê?). O objetivo é apenas ostentar a
gloriosa camiseta da Ala Verde (também tem a Vermelha e a
Amarela), com a qual devo desfilar amanhã à noite,
na Beira-rio.
Tudo bem que o samba'n'redo é sobre a Marejada, o que
acho um desperdício; tudo bem que a letra, além de
não ser das melhores, tem uma puxada no saco da Fundação Itajaiense de Turismo (FITUR). Mas a melodia é demais.
Outra coisa alucinante é a bateria do bloco. Uma pegada
realmente poderosa, coisa de gente que tem alma guerreira
e faz carnaval com garra, entrega, coração.

Poesia Popular

Ainda sobre isso, ano passado uma distinta senhora
que me viu desfilar veio me dizer que não via sentido
um poeta arriscar seus passos e se entregar à folia
na avenida. Com todo o respeito, acho um absurdo tal opinião.
Afinal de contas, quantos poetas, do morro e do asfalto,
o samba já nos deu? Além disso, posso ser um acadêmico,
um imortal (enquanto espírito e escritor), mas,
intencionalmente, nunca abri mão da espontaneidade,
do improviso e também do diálogo com as formas mais
coloquiais e populares de comunicação. Ainda por cima,
também tenho a África correndo no sangue.
Como poderia, então, negar (e não cair n) o samba,
uma de nossas mais belas formas de poesia popular?

"Vejam: Acadêmicos do Beco desfilar
Suas cores, sua história
Mostramos hoje nessa festa popular"

(letra do samba'n'redo do ano passado)

ou ainda:

"Clareou...
Um sonho lindo
Que virou realidade
O Beco que reluz..."

(letra do atual samba'n'redo)


andré pinheiro
ocupante da cadeira 16 da Academia Itajaiense de Letras,
apreciador do carnaval de rua e amante da cultura popular
enviada por profeta do caos



27/01/2005 18:25
esse também é "velha guarda".
me valeu um troféu Uninvento
na Univali, em 1999.



SONHERÓTICO

ontem
ex-crevi poemas;
hoje
não sei o que há, Porvir

verdes ondas
vaivém, tchuá, branquespumas;
caosquer cousa
zabumbatum poc-poc...
espiritualidad in gotchas,
pim-pim-pim
acorda o germe dioutrora

psicofonia, banzé, desbatuque
-loves fora: nadanada;
irrespire ali, veado!
(chuventania atemporal)

carros funerários, placas,
vitrines, corujas
bilhetinhos a outrem...
a praça, o paço, as poças:
covas sem fim or not to be

ao desengarrafar
dum sonherótico
pontiagudo, destro, profundo
cogumelos irrompem
em nós,
qual folhas quicaem
sobre a estranha mania
de engolir a cidade


andré pinheiro

enviada por profeta do caos



24/01/2005 00:44




O PORTÃO


se eu pudesse atravessar
o sombrio portão da morte
e depois voltar...

seria uma surpresa agradável
colher as flores
do outro lado da vida
- e trazê-las de volta para você

você beijará meus lábios
quando eu morrer?


andré pinheiro

enviada por profeta do caos



19/01/2005 02:01



PULSAR


pulsar, pulsar
livre pensar
mergulhar no céu
deslizando entrestrelas
espelhadas no mar

pensar, pensar
ser livre e pulsar
ilustrar nossa história
co’amor infinito
e pela vida pulsar

andré pinheiro

enviada por profeta do caos



07/01/2005 00:24



TEMPO

Tempo
navegante noturno,
remando entre
amanhã e outrora

Tempo
sujeito obscuro
pouco a pouco me roubas
os dias e as horas

Tempo
senhor do meu estro
a todo instante, cruel,
fazes morrer o agora

a ti dobro meus joelhos,
entregando-te o destino;
corres ágil, voas alto
tornando velho o menino

Tempo
guerreiro antigo
ampulheta sem areia
quem confia em ti não chora


andré pinheiro

enviada por profeta do caos



30/12/2004 15:13



REVOLUÇÃO

fazer saber
saber querer
querer poder
poder fazer


andré pinheiro

enviada por profeta do caos



27/12/2004 11:31



MENINO MORTO

menino louco,
menino morto
de olhos esbugalhados;
semblante fosco

olhos cegos,
rosto pálido
dentes cerrados;
tuas mãos em concha
sobre o peito
expressam a dor
de um adeus
inesperado


andré pinheiro

enviada por profeta do caos



24/12/2004 20:40
FLASHBACK: poeminha dos anos 90,
pra matar as saudades dos tempos da graduação
em Jornalismo na Univali (1995-1999).




PORTA ABERTA

toda pessoa é uma porta aberta
cada porta aberta é uma alternativa de mudança
cada alternativa de mudança é um sinal
cada sinal é uma busca
cada busca é uma possibilidade
toda possibilidade é mágica
e a mágica é o prenúncio da loucura
ah! a loucura está a um passo da verdade...
e a verdade é inacabada, inabsoluta, livre
livre como toda pessoa
toda pessoa é uma porta aberta...


andré pinheiro

enviada por profeta do caos



21/12/2004 01:41




À ESPERA

prove o sangue
do cálice sagrado;
vista-se de sol
e use o perfume da brisa;
inspire a força das marés
e venha...

...exalando primaveras:
venha.

tenho o espírito atento
e o corpo sereno;
as velas acesas,
as janelas abertas;
vinho sobre a mesa
e as portas libertas

venha,
estou à sua espera...


andré pinheiro

enviada por profeta do caos



19/12/2004 19:51
PRIVILÉGIO DE POUCOS


SANTOS FUTEBOL CLUBE
Octacampeão Brasileiro
1961
1962
1963
1964
1965
1968
2002
2004

"Nascer, viver e no Santos morrer
é um orgulho que bem poucos
podem ter"

(Fragmento do primeiro hino oficial
do Santos Futebol Clube)

enviada por profeta do caos



18/12/2004 15:47



MY WAY

although
i walk alone,
i gotta go ahead
with poetry and dreams
in my head

these are my guns
and i don’t know why
that’s my way
until i die


andré pinheiro

enviada por profeta do caos



13/12/2004 00:45



ENTREGA

descortinar a mulher
oculta na poetisa;
desacorrentar a musa;
libertar a ninfa,
despir a divindade...

até perder de vista
o desejo
e entregar os corpos
à dança,
valsando alucinados
no compasso
da entrega
– sem trégua –
ao jogo
ao fogo
dos sentidos


andré pinheiro

enviada por profeta do caos



08/12/2004 00:12



ANGÚSTIA

de olhos fechados,
vejo a terra girar...
sinto a dor e o alívio
da explosão dos sentidos
mergulhados no azul

em meio a tanta abstração,
na ânsia de entender
o que de fato não há,
eu tenho a boca aberta,
as mãos vazias,
rugas na testa,
uma grande agonia

que insiste
em invadir
a minha casa
e comigo morar


andré pinheiro

enviada por profeta do caos



02/12/2004 10:38
Eu uso chavões!
enviada por profeta do caos



26/11/2004 21:47



ANTÔNIMO

quero sair anônimo
no meio da turba,
ser ignorado
em plena praça pública;

não quero ter mais nada
a ver com ninguém,
nem ter minha vida
transformada em refém

de controladores de conduta:
vão embora, me esqueçam!
deixem-me ir à luta,
desapareçam e cresçam!

eu quero sair antônimo
hoje, no meio da chuva
cansei de ser um sinônimo
a mais no meio da chusma


andré pinheiro

enviada por profeta do caos



22/11/2004 20:30



fORgiVe mE,
i'M ouT FoR LUncH...

HAHaHahahAhAHAHAhAHahAhaHAHahA
enviada por profeta do caos



17/11/2004 03:16



VIVER...

palavra letra perfeita oh desafivelai meu cantar libertai-me da opressão de amores impossíveis vários níveis de compreensão leitura
gestual estrondo que brota do peito desafivelai meu peito coração
navegant’errante que nesse perde-ganha não mais bate só apanha
reveses deslizes fatalidades oh fezes! mil vezes nuncamais não mais
peregrino da paz persigo minha sina de cavaleiro solitário oh vidinha mais-ou-menos. ventura? oh desafivelai meu absinto oh desafivelai meu cinto minha doce senhorita... onde estou? onde estás? que buscais aqui no quart’escuro? um solo de guitarra perdido uma bomba-relógio ou corrida na chuva? que buscais quereis aqui? com franqueza certeza nada de mim.
e esses olhos tão perto, para quê foram feitos? que jeito que jeito? tudo tão-mais-que-perfeito tão cheio de graça leveza cabeça-de-vento: que assombro. que medo. q’absurdo. intuitivo apenas vivo não vejo tudo estou mudo estou besta estou pasmo desperto do transe mas não fico calmo se o mundo é um lixo já sou outro bicho movido a bom vinho emoção e bom rock; chega de não-me-toque se o circo é vostok prefiro woodstock a brisa e a lua... vou mais é viver.


andré pinheiro
enviada por profeta do caos



16/11/2004 01:15



CEMITÉRIO

a chuva que cai
sobre as lápides
lava o velho rosto da história
de vidas anônimas,
de almas antônimas
que habitam este ermo lugar

o vento que sopra
entre as pedras
e os paus das cruzes
apaga as velas, refaz as lembranças
e o brilho de olhares
e vozes e passos e vultos

entre epitáfios e lamentos;
flores e estátuas: sofrimento...
canções e adeuses
suspensos no ar

o escuro da noite
mascara o pesar,
transforma em silêncio,
talvez em mistério,
o choro daqueles que já são saudade
e habitam um mundo
chamado pretérito,
cravados no solo de um cemitério

andré pinheiro
enviada por profeta do caos



13/11/2004 19:09
BENTO, uma referência


neste domingo, às 12 horas, o professor e historiador José
Bento Rosa da Silva lança "ESTIVA PAPA-SIRI: MÃOS E PÉS DO PORTO DE ITAJAÍ", seu segundo livro, produzido com apoio da Administração do Porto de Itajaí e do Sindicato dos Estivadores. numa viagem através das narrativas de estivadores e seus familiares, além de intensa pesquisa, o autor consegue visualizar historicamente a cidade (num período compreendido entre 1906 e a década de 1990) e fazer entender a influência do Porto na economia local. sua experiência de doutor em História do Brasil, serve de base para fins de reflexão teórica.
o lançamento será amanhã, domingo, às 12 horas, no Bar Corrêa. o bar, onde o autor começou a se inteirar das histórias dos
estivadores, fica na esquina das ruas Manoel Francisco Coelho e São
José, no loteamento Rio Bonito, bairro São Vicente, em Itajaí.

o lançamento será, com certeza, uma grande festa popular.
a gente se encontra por lá!

enviada por profeta do caos



11/11/2004 00:10



LIVREVÍCIO

não me livro
dos meus livros
sem alívio

se dilúvio
ou desnível,
impensável
é renunciar ao impossível

tenho sido
pouco visto
e não me dou
a muitos vícios,
teço trevas
e abismos

destravo trovas
e assovio
num mergulho
ao inverossímil

dito isto
não desisto,
só repito
e reinsisto:

estou vivo
e me alivio,
regozijo,
refugio
nos meus livros

me alimento
dos meus vícios,
dos quais
não me livro
sem alívio

por isso
é que vivo
e livre
me sinto
quando me entrego
aos livros


andré pinheiro

enviada por profeta do caos



09/11/2004 01:19
- Hoje tem goiabada?
- Tem, sim, senhor!
- Hoje tem marmelada?
- Tem, sim, senhor!
- Hoje tem lançamento de dois excelentes livros?
- Tem, sim, senhor!

- Pois vamos, então, à função de hoje:

EX-VOTOS



*** EX-VOTOS
nesta terça, dia 9, Rogério Lenzi traz à luz EX-VOTOS, seu
segundo livro de poemas. a Editora da UFSC será a responsável pela
publicação.
nascido em Rio dos Cedros e criado em Timbó, Rogério Marcos Lenzi é
historiador formado pela Univali. foi editor do jornal cultural "O
Papa-siri" e atua na Fundação Genésio Miranda Lins, onde edita o
Anuário de Itajaí. seu primeiro livro, "Contínuo Ato", de 1999,
cria para EX-VOTOS a expectativa de mais uma obra poética de grande
qualidade.
o lançamento acontece às 20 horas, na Casa da Cultura Dide Brandão, em Itajaí.


RETRATO LITERÁRIO




*** RETRATO LITERÁRIO

também hoje, a jornalista Camila Lourenço estará lançando o livro-
reportagem biográfico RETRATO LITERÁRIO: URDA ALICE KLUEGER E O
FAZER LITERÁRIO
. a obra registra a vida e a produção da escritora, reconhecida como uma das mais importantes romancistas de Santa Catarina.
editado em parceria pela Furb e Univali, o livro é resultado do trabalho elaborado por Camila para a conclusão do curso de Comunicação Social - Jornalismo, em 2002.
o lançamento acontece também às 20 horas, no Salão Angelin da biblioteca da Furb - Campus 1, em Blumenau.

- Todos ao(s) espetáculo(s)!
enviada por profeta do caos



07/11/2004 20:52



fique aí, sem fazer nada. é bem mais fácil. olhe ao redor e sorria. de vez em quando, mude de canal. pra sair da rotina, vá para a janela tomar conta da vida alheia, enquanto a sua não sai do lugar. durma. acorde. coma. engorde. em coma. deixe sua consciência permanecer em coma. deite-se, deixe-se, entregue-se à permanência, conscientemente em coma.
olhe e veja o mundo como uma inerte maquete estática: à distância.
defenda-se e não interfira. é bem mais cômodo. dê seqüência aos seus dias como um verme autômato. autômato tomate couve-flor alface: seja vegetal mas não perca a classe. e o resto? que se lasque... adormeça na grama desse parque, enquanto cresce o mato. lutar, questionar, refletir? nada disso importa... pensar é muito chato.



Para quem anda de saco cheio com o comodismo, a mesmice e a falta de bons acontecimentos - no sentido negro, libertário e profano da coisa - e está a fim de fazer alguma coisa, tenho uma sugestão de leitura.
Trata-se do livro PROVOS - Amsterdam e o Nascimento da Contracultura, de Matteo Guarnaccia. A obra em questão reúne três características que tornam a sua leitura, no mínimo, recomendável.
Primeiro, é uma importantíssima contribuição para a história dos movimentos contraculturais, principalmente por sair do eixo Inglaterra-EUA. Depois, é muito bem escrita narra acontecimentos que demonstram o nível de poder conquistado pelo caráter lúdico da atitude revolucionária. Finalmente, fornece uma série de boas idéias que servem como um verdadeiro combustível aos interessados
na revolução/ruptura em nível local, de forma prática, bem-humorada e, sobretudo, pacífica.

Interessados: façam contato.


enviada por profeta do caos



05/11/2004 00:04



ENQUANTO VOCÊ PENSA...

enquanto você pensa
no que eu sou,
já fui;

enquanto você vem
até onde estou,
já mudei

de forma
cor, expressão,
tamanho, peso,
situação

pois enquanto você pensa,
eu existo


andré pinheiro

enviada por profeta do caos



23/10/2004 21:07



PÁGINAS DE LUTA (*)

vai,
transforma
o pranto em mar
e navega no futuro
que tua voz
fará brotar;

constrói
lugares e homens novos,
refaz a vida em flor
com a força do teu verbo
e as cores do teu pensar;

não pares!
não canses!
não cales!
olha e denuncia;
batalha e conquista;
descobre e compartilha;
informa e liberta...

faze um mundo melhor,
mesmo que,
no calor da tua luta
precises escrever,
com o teu próprio sangue,
as páginas da mudança:
prova de teu amor


andré pinheiro


(*) - Putz! Esse poema foi incluído no convite de formatura
da minha turma, quando me graduei em Jornalismo,
em dezembro de 1999.
Por isso, traz uma série de boas recordações...
"Those were the days", como diria Sir Paul McCartney.
Ah, originalmente, no lugar da palavra mudança,
lia-se revolução, mas, já na época fiz a alteração,
por achar que ficava panfletário demais.

enviada por profeta do caos



21/10/2004 23:37



EXTREMO

o que te faria
correr na chuva
com lágrimas nos olhos?

o que te levaria
a tentar tocar
o céu com a mão?

libertar os sentidos;
desconstruir a lógica;
sentir prazer
ao sangrar;

o que é melhor
– mais interessante,
excitante ou extremo:
a transcendência
ou a fúria?

responda se puder;
esteja pronta
e venha
quando quiser


andré pinheiro

enviada por profeta do caos



19/10/2004 00:20



DESCONCERTO

quando o pensar
começa a doer
e uma sensação de desconcerto
toma conta de você...

como fechar os olhos
sem abrir as janelas,
expondo o que de mais profundo
inquieta o seu ser?

nada funciona
quando não se tem calma,
e tiros no escuro
não matam fantasmas
que se escondem
entre as frestas das paredes
deste castelo chamado
solidão


andré pinheiro

enviada por profeta do caos



11/10/2004 16:19


RÉQUIEM

gosto de fechar os olhos e me distrair com as formas coloridas que
irrompem no quarto sombrio das pálpebras cerradas. me assustam os
pequeninos pares de olhos, dispostos em círculo, que se formam nessa
caverna escura e me observam toda vez que tenho um acesso de
espirros.
há muito não tenho febre, e isso me faz muita falta.
tem certas horas em que escrever torna-se extremamente difícil – na
verdade, uma tortura –, pela sensação de se ter algo a dizer e
ninguém pra te escutar. ou então de não se ter mesmo nada a dizer:
nada que interesse a um bando de gente que não sai do lugar.
brilha a luz do sol e dirrepente me sinto como se andasse numa rua
lotada. tomado por sensações contraditórias: fujo da multidão e ao
mesmo tempo procuro, desesperadamente, reconhecer rostos amigos em
meio ao rush.
amigos de outrora, que o tempo tragou; amigos desconhecidos,
imaginários e futuros.
náugragos, sedentos e desnudos.
me angustia o invencível giro dos moinhos do tempo, cujas águas são
cada vez mais passadas. e as pás, espaçadas, se utilizam do vento
para nos triturar os grãos da existência, produzindo cada vez mais
memória.
que destino ou desatino nos espera??
um espelho quebrado,
vozes em desalinho,
um dólar no bolso ou revólver na mão...
desconexas correntezas
despoesia, silêncio ou certezas??

busco um grito enlouquecido
para enfeitar o claustro escuro
de minha pálpebras lacradas...
algo poderoso e simples
que venha a modificar
o branco dos muros e o breu dos porões;
uma nota longa,
monótona e lúgubre
que nos desafie lógica
e nos faça desconfiar
das aparências
do deus dinheiro
e do egoísmo nosso de cada dia

uma nota interminável
que destrua nossa inércia
e nos traga de volta
o sorriso e o abraço;
que nos arremesse
além dos quintais e fronteiras
recuperando o outro para mim
e o "eu" para os outros
(muitos "eus" para todos!!)
"todumundo" para muitos,
o sol para todos
e o sonho para os loucos

por alguns momentos,
uma noite que seja,
deixemos de lado a razão. essa camisa-de-força do belo, pretexto para
matar, destruir e se deixar morrer. deixemos de lado a sede de sangue
e poder; a luta sem tréguas e limites para vencer e aprisionar o
outro. que tal deixar de lado a tirania do verbo tEr e se permitir um
mergulho no sEr??

abandonar a mesmice
de uma vida linear
permitir a catarse
transcender, respirar

dar à luz cores vivas
até o galo cantar
conhecer gente linda
e nessa dança de shiva
ver o mundo girar

na palma da mão
marcar os compassos
e girar sobre um pé
com o outro no ar

e quando ao primeiro grito
se reunirem outras notas,
que o vento enfim nos acorde
e sejamos transgressores
compondo, risonhamente,
um réquiem aos opressores


andré pinheiro
enviada por profeta do caos



06/10/2004 00:23



BREVIDADE

precipício abaixo
vôo sem asas
vertigem
gravidade:
derradeira queda,
em que a existência
se faz brevidade


andré pinheiro

enviada por profeta do caos



27/09/2004 23:54
esse protestinho não é de minha autoria. mas, pela
relevância do tema, vale a pena postar

.

por Lattuf.>/i>

enviada por profeta do caos



18/09/2004 17:28

A CIDADE DORME


letárgica
tediosa
alheia ao movimento
e à fúria das ruas
a cidade dorme

casas são redomas
com grades e proteção
sentimentos agonizam:
percebo o amor em coma
e a ternura em depressão
e a cada noite
pesadelos ressuscitam
com a tez da solidão
esta é a cidade que dorme

enquanto
carros trafegam
e noturnas criaturas
festejam a incerteza
dos minutos,
a poesia
pisa mansinho,
pé ante pé,
para não desfazer
a catalepsia
da cidade que dorme

em cada quarto
o sangue desacelera,
os sonhos definham
nos corpos
o desejo,
o fogo,
o toque,
abrandados, silenciam

nada acontece
nada funciona
o mundo se escurece
o abraço não aquece, abandona
a canção se entristece
tudo é tão desnatural;
não há mais brinquedo,
o encontro é teatral
pensamentos são disformes
cada leito é um funeral

na cidade que dorme


andré PINheiro

enviada por profeta do caos






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